Afinal a FLEC não quer a guerra, só o seu braço armadoDecisão da FLEC/FAC conduz à “deterioração do clima político” e põe em risco toda a sub-região da África Central, diz a organização.
A Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) condenou ontem a decisão do seu braço armado, anunciada dia 18, de retomar a luta armada pela autonomia da província até que Luanda se disponibilize “séria e concretamente” para o diálogo.
Num comunicado enviado à agência Lusa, a representação diplomática da FLEC na Bélgica e na União Europeia (UE) considera que a decisão da FLEC/FAC conduz à “deterioração do clima político” em Cabinda e que põe em risco toda a sub-região da África Central, “já de si enfraquecida pelas tensões eleitorais”.
“Condenamos toda a violência e consideramos que o anúncio do presidente Nzita Tiago [líder da FLEC/FAC] de retomar a guerra em Cabinda e os ataques contra os soldados das FAA [Forças Armadas Angolanas] constitui um grave atentado à trégua unilateral que decidimos observar”, lê-se no documento, que foi entregue na Comissão Europeia e no Parlamento Europeu.
Para a FLEC, o recurso à violência para se defender das injustiças “não é uma solução credível” face a um “regime ditatorial com uma posição de força”, pois “expõe” as populações civis indefesas “às medidas de represália” que o “MPLA vai continuar a tomar” no território.
“Esta declaração populista, irreflectida e irresponsável do presidente da FLEC, tomada sem uma consulta prévia de todas as forças vivas de Cabinda, não reflecte nem representa o ponto de vista da grande maioria do povo cabindês”, acrescenta-se na nota, assinada pelo pastor António Kitembe.
“A linguagem das armas não pode, de forma alguma, empenhar ou convencer a comunidade internacional para pressionar o MPLA para que este se sente à mesa das negociações”, sublinha-se no comunicado.
A 18 deste mês, num comunicado enviado também à Lusa, a FLEC/FAC (Forças Armadas Cabindesas), liderada por Nzita Tiago, alertou a comunidade internacional para o facto de Cabinda ser “um território em estado de guerra” e que a circulação de pessoas “é seriamente desaconselhado”.
Hoje, no comunicado, a FLEC apelou aos deputados e partidos da oposição de Angola “e até aos do MPLA”, a incluírem a questão de Cabinda nos respetivos programas políticos para que se encontre uma solução pacífica.
Dirigindo-se ao presidente José Eduardo dos Santos, a FLEC apelou à sua “boa vontade” em “reconhecer a necessidade urgente” de se pôr termo ao conflito pela via do diálogo.
A 18 deste mês, a FLEC/FAC criticou o “silêncio” de Luanda e da comunidade internacional em relação a Cabinda, destacando, entre eles, as autoridades de Portugal, França, Reino Unido, Estados Unidos.
“Desde 1963, a FLEC/FAC tem a missão e o dever de proteger o povo de Cabinda de todas as agressões e humilhações e punir todos os opressores internos e externos”, avisa a organização.
A FLEC luta pela independência de Cabinda, província de onde provém a maior parte do petróleo angolano, e considera que o enclave é um protectorado português, tal como ficou estabelecido no Tratado de Simulambuco, assinado em 1885.
WWW.REDEANGOLA.INFO







Partage